Não sinto mais do que saudade, dor, inveja do ar que um dia respirei.
Olhei o telemóvel, vi o teu número e apaguei sem sequer ler as palavras duras que decerto escreveras. A discussão havia sido feia, os enjoos haviam-se feito sentir no meu corpo, as mãos já nada agarravam nem os olhos exergavam. Senti como que o chão a fugir-me dos pés, senti a desolação de novo, senti tudo de novo. Percebi que iria deixar a existência de novo.
Senti que realizei mal, que realizas-te mal, que realizamos mal. Nada mais há a realizar. Cessamos o nosso mundo...
Já gastámos as palavras pela rua, meu amor,
e o que nos ficou não chega
para afastar o frio de quatro paredes.
Gastámos tudo menos o silêncio.
Gastámos os olhos com o sal das lágrimas,
gastámos as mão à força de as apertarmos,
gastámos o relógio e as pedras das esquinas
em esperas inúteis.
Meto as mãos nas algibeiras
e não encontro nada.
Antigamente tínhamos tanto para dar um ao outro!
Era como se todas as coisas fossem minhas:
quanto mais te dava mais tinha para te dar.
Às vezes tu dizias: os teus olhos são peixes verdes!
e eu acreditava.
Acreditava,
porque ao teu lado
todas as coisas eram possíveis.
Mas isso era no tempo dos segredos,
no tempo em que o teu corpo era um aquário,
no tempo em que os meus olhos
eram peixes verdes.
Hoje são apenas os meus olhos.
É pouco, mas é verdade,
uns olhos como todos os outros.
Já gastámos as palavras.
Quando agora digo: meu amor...,
já se não passa absolutamente nada.
E no entanto, antes das palavras gastas,
tenho a certeza
de que todas as coisas estremeciam
só de murmurar o teu nome
no silêncio do meu coração.
Não temos já nada para dar.
Dentro de ti
não há nada que me peça água.
O passado é inútil como um trapo.
E já te disse: as palavras estão gastas.
Adeus.
Eugenio de Andrade
Larguei os sapatos, os saltos já me incomodavam. Soltei o cabelo pois a brisa desejava tocá-los. Esboçei um sorriso que a face já havia pedido.
Caminhei na areia, pisei grão a grão como que a pisar cada incerteza da minha vida. Deixei os pés beijarem a água, fria, salgada, pouco transparente, mas pura com a vontade de nela deixar o ruim para começar tudo de novo.
É um começo, um meio e um fim... é uma ficção, só uma vontade de escrita... é uma realidade presa na mente...
Hoje vou fazer algo que nunca antes tinha feito... Será da idade??? É que acho que está na altura de fazer um balanço do ano que passou!
2009 não foi o meu melhor ano, talvez tenha mesmo sido o pior! Começou mal e acabou mal. Começou com uma doença emocional acabou com uma doença corporal.
Perdi mais do que aquilo que ganhei, chorei mais do que aquilo que sorri. Tive problemas atrás de problemas. Resolvi alguns outros tentei ignorar. Perdi amigos, ganhei conhecidos, muitos conhecidos, mas percebi que os verdadeiros amigos estão sempre ali, nos bons mas principalmente nos maus momentos dispostos a partilhar todas dores comigo. Enganei e fui enganada. Percebi que o mais óbvio nem sempre é o mais verdadeiro. Percebi que há gente má, muito muito má, capaz de tudo para se evidenciar. Percebi que também tenho mau íntimo quando assim tem de ser, percebi que este ano não fui aquilo que me ensinaram a ser!
Por tudo isto e muito mais que não vale a pena lembrar em 2010 desejo:
Hoje sinto saudade de outros tempos...
Tempos em que era completamente feliz...
Inconsciente talvez, mas feliz...
Absolutamente feliz....
Trabalhar com mulheres é uma experiência terrível, principalmente quando estas têm Inveja como segundo nome... Depois passo por atiradiça, mas que culpa tenho eu de me relacionar melhor com a classe masculina???
Pelo menos esses são sinceros!!!
E é assim que vou aprendendo...